O agronegócio, além de representar um dos pilares da economia brasileira, vem enfrentando desafios cada vez mais complexos. Os números recentes da Serasa Experian, que apontam um aumento de quase 32% nos pedidos de recuperação judicial no setor no segundo trimestre de 2025, reforçam a necessidade de atenção redobrada por parte de produtores e empresas da cadeia agroindustrial. A combinação de margens pressionadas, custos de insumos elevados, juros altos e oscilações climáticas torna o ambiente de negócios ainda mais instável.
Esse cenário demonstra que o agro, apesar de sua força — responsável por quase metade das exportações brasileiras e 22% do PIB.
O setor é responsável por cerca de 50% das exportações nacionais. Além disso, destaca-se o caráter social dessa atividade: 77% da produção advém da agricultura familiar, revelando sua importância não apenas econômica, mas também como sustentáculo da vida no campo.
Atualmente, cerca de 40% de todo o território nacional encontra-se ocupado por atividades agropecuárias, o que evidencia sua dimensão e relevância estratégica.
O mercado de crédito rural, por sua vez, movimenta cerca de R$ 700 bilhões por ano, configurando-se como peça fundamental para o financiamento da produção e para a manutenção da cadeia agrícola.
No aspecto social, o agronegócio também se destaca como grande gerador de empregos: aproximadamente 1 a cada 3 trabalhadores brasileiros encontra-se vinculado direta ou indiretamente às atividades do setor. Trata-se, portanto, de segmento essencial tanto para a economia quanto para a preservação da função social do trabalho e da terra.
Todavia, os produtores enfrentam riscos expressivos, seja em razão de fatores climáticos, seja pela volatilidade do mercado. A instabilidade econômica, associada a taxas de juros que variam de 25% a 35%, contribui para agravar o cenário, levando mais de 50% dos produtores rurais ao endividamento.
Por isso, estar atento às movimentações do mercado é fundamental. Mais do que acompanhar indicadores econômicos, produtores e empresas precisam estruturar-se com o suporte de um jurídico especializado no agronegócio e em reestruturação empresarial. Um assessoramento técnico-jurídico adequado pode não apenas reduzir riscos, mas também viabilizar soluções eficientes em situações de crise, como renegociações, prevenção de litígios e condução de processos de recuperação judicial.
O crescimento expressivo dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio não deve ser visto apenas como estatística, mas como um alerta. O setor, que é essencial para a economia e para a vida no campo, exige cada vez mais preparo, visão estratégica e respaldo jurídico sólido para enfrentar cenários adversos. Estar bem assessorado é, portanto, mais do que uma escolha: é uma condição para a sobrevivência e o crescimento sustentável no mercado agro.
O agronegócio desempenha papel absolutamente central na economia brasileira.
Nathália Albuquerque Lacorte Borelli. Advogada formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas – PUCCAMP. Pós-graduada em Gestão e Estratégia Empresarial na Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP. Pós-graduada em Direito Tributário pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Membro da Comissão de Estudos em Falência e Recuperação Judicial da OAB/ Campinas. Membro do Centro de Mulheres na Reestruturação Empresarial – CMR. Membro da IWIRC – Brasil. Membro da Comissão de Direito Bancário – nathalia@ygadv.com.br


